terça-feira, 3 de novembro de 2009

ABORDAGENS PSICOPEDAGÓGICAS NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA DE ALUNOS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL

Sílvia Cristina de Souza Trajano


RESUMO


O presente trabalho traz, em uma abordagem referente a perspectiva da educação inclusiva, a Psicopedagogia como enfoque social dentro de uma dimensão macrossocial, na qual apresenta alguns pontos fundamentais nas Políticas para a Educação Especial e o comportamento histórico-cultural a partir da Antiguidade, culminando na contemporaneidade com a dimensão microssocial da escola, da família e acentuando esta última pela sua função social como parceira da família e uma complementação executiva das determinações legais, mas que muitas vezes precisa de auxilio de especialistas para da andamento a suas atribuições. Por isso “As Abordagens Psicopedagógicas na Educação Inclusiva de Alunos com Deficiência Intelectual”, vem apresentar, não apenas a função macrossocial das Políticas Públicas e a microssocial da escola e família, mas as intervenções fundamentalmente necessárias da Psicopedagogia como um dos elementos multidisciplinares com o papel de somar forças na busca de soluções no que diz respeito as dificuldades de aprendizagem de ordem patológica congênita ou adquirida no próprio ambiente sócio-cultural do contexto de cada indivíduo.

Palavras Chave: Educação, Inclusão, Psicopedagogia




INTRODUÇÃO

O presente trabalho pretende apresentar as “Abordagens Psicopedagógicas na Educação Inclusiva dos Alunos com Deficiência Intelectual”, analisando e discutindo o papel da Psicopedagogia e sua efetiva contribuição nos diversos espaços sociais, mais especificamente, na escola e no contexto familiar, evidenciando algumas barreiras encontradas por especialistas na intervenção de alunos com Deficiência Intelectual (DI), a começar com a relação e criação de vínculo terapêutico entre família, paciente e psicopedagogo, que muitas vezes não aceitam a realidade dos fatos apresentados pelo especialista ou não se comprometem integralmente no tratamento, atribuindo o insucesso do aluno/filho ao psicopedagogo. Fracasso que muitas vezes é resultado de terapias que vem como atitudes de independência, autonomia e melhoria no comportamento social que já se aproxima da normalidade, mas que é interpretada pela família como rebeldia e resposta negativa ao tratamento terapêutico que logo é interrompido.
A família contribui de forma significativa com as intervenções psicopedagógicas, sendo capaz de aceitar de forma racional as evidências e a devolutiva? As instituições educacionais contribuem efetivamente e aceitam as intervenções psicopedagógicas no espaço da escola? Os psicopedagogo estão sabendo realizar e conduzir as intervenções e as devolutivas para a família e paciente?
Será possível verificar essas respostas e as dificuldades de intervenções Psicopedagógicas, inclusive no ambiente escolar, onde educadores se mostram resistentes ao aluno da Educação Inclusiva, mesmo com a existência das Políticas Públicas para a Educação Especial e as determinações legais. Alguns professores rejeitam o auxilio e a intervenção Psicopedagógica, o que dificulta ainda mais o processo de melhoria desses alunos.
Como a intenção da presente pesquisa é apresentar as Abordagens da Psicopedagogia na Educação Inclusiva de alunos com DI, será necessário realizar um retrocesso histórico da Educação Especial, desde a Antiguidade até os dias atuais para que se compreenda o comportamento social diante do desconhecido que provoca medo, rejeição e distanciamento das pessoas ditas “normais” as pessoas com DI. Este retrocesso histórico é realizado no capítulo 1, com o título: A deficiência intelectual: ontem e hoje.
No capítulo 2 é realizada uma sucinta apresentação das abordagens teóricas e práticas no campo da Psicopedagogia, iniciando-se com um paralelo da Psicopedagogia no Brasil e Argentina e o campo de atuação do psicopedagogo.
Após a compreensão da atuação psicopedagógica, chega-se no capítulo 3 com a necessidade de se retomar o tema Educação Inclusiva com o histórico e as conclusões que justificam o comportamento contemporâneo social diante da Deficiência Intelectual nos diversos contextos e a atuação psicopedagógia na atual conjuntura social.
Por fim, no capítulo 4 é ilustrado com o título: A Psicopedagogia, o social do Deficiente Intelectual, o qual encerra com a efetiva discussão das abordagens psicopedagógicas da Educação Inclusiva de alunos com Deficiência Intelectual em estudos de caso, com o intuito de entendimento da dinâmica das relações familiar.
Deseja-se que este trabalho seja um campo fértil de motivação para pesquisas com objetivo de compreender melhor a vida dos Deficientes Intelectuais e as formas de intervenção pedagógica, apresentando que a Psicopedagogia é uma área que veio somar com tantas outras e que podem prevenir, tratar e até sanar dificuldades, distúrbios e patologias controláveis pelo contexto e comportamento.
A pesquisa é do tipo bibliográfica, sendo utilizados vários livros, periódicos, trabalhos científicos de Internet, documentos legislativos e atividades realizadas no decorrer do Curso de Especialização de Psicopedagogia do Centro Universitário de Barra Mansa.



CONCLUSÃO

A família quase sempre não tem contribuído de forma significativa com as intervenções Psicopedagógicas, não sendo capaz de aceitar de forma racional as evidências explicitadas ao longo das sessões e na devolutiva. Muitas vezes o contexto familiar, já acostumado com a patologia cultural do ambiente, cria um paradigma que quando rompido é interpretado como agravamento e não como melhora. E as intervenções pedagógicas provocam mudanças que vão mexer com as estruturas de todos os indivíduos do lar. Nem sempre a família está preparada para mudanças, às vezes ela não quer mudanças, ainda que a busca por ajuda profissional possa ser um comportamento contraditório, mas o pensamento e comportamento humano são tão complexos quanto contraditórios.
Conheço vários profissionais de Psicopedagogia que “fizeram” seu nome e que hoje, pessoas “desfazem” seu nome, devido a não compreensão de encaminhamentos e devolutivas realizada pelo psicopedagogo. Na verdade percebo uma falha no comportamento profissional desses psicopedagogos que se precipitam em dizer algo que não quer ser ouvido, visto, ainda que isso implique em paciência e jogo de cintura, é importante criar e manter o vínculo terapêutico de modo que a confiança não seja abalada pelo que seja dito e ainda sim a sutileza de “induzir” ao invés de “dizer” a realidade (que é variável e questionável) vale mais do que qualquer outra forma de diálogo e aconselhamento. Aliás, é por isso que conselhos não funcionam, pois são ditos e não conduzidos. Pessoas aprendem com erros e constatações e muito menos com palavras que só fazem efeito quando já se passaram pelo campo do empirismo.
Outra falha de alguns psicopedagogo é o foco fechado no paciente que está inserido em um contexto rico de acontecimentos que marcam sua personalidade e suas patologias, congênitas ou não. Olhar entorno é entender como proceder e onde intervir, especificando o trato terapêutico para cada paciente, família, situação e contexto. Ouvir e mais importante que falar. Conhece-se melhor o outro quando se dispõe a ouvi-lo. É assim que se cria, o primeiro passo para, o vínculo de confiança.
As instituições educacionais raramente contribuem efetivamente e aceitam as intervenções Psicopedagógicas no espaço da escola, pois estão preocupadas em preservar sua vaidade em defender-se, afirmando que as metodologias, os procedimentos são adequados já que funcionam para a maioria dos alunos ou que, a escola não tem infra-estrutura e que os professores não são capacitados para trabalharem com alunos deficientes. A escola é vítima culpabilizada pela sociedade e que precisa de ajuda, mas não aceita auxílio e não busca capacitar-se. Ressalta-se aqui a importância de não generalizarmos essa situação, porque existem bons exemplos de escolas inclusivas e que correm atrás, fazendo trabalhos que fazem diferença. Mas é sabido que mesmos com todas as exigências de documentos com força de lei e da própria legislação, na prática a diferença da teoria ainda é gritante, embora possamos ter algumas comemorações no que diz respeito a progressos no campo da inclusão de alunos/ pessoas com deficiência intelectual.
A Educação Especial (inclusiva) precisa ser a aliada na pesquisa e no desenvolvimento de novas formas de ensinar, na heterogeneidade dos aprendizes, sendo compatíveis com os ideais democráticos, na função de orientação, supervisão e acompanhamento das condições educacionais apropriadas.
Para que o educador efetive suas práticas a partir desse ideal é fundamental o apoio emocional e os estímulos profissionais através da valorização docente e da capacitação contínua, como proposto no PNE.
"Pelo caráter paralelo que apresentou ao longo da história educacional brasileira, a Educação Especial trabalhava somente com o que concernia aos grupos excluídos em função de suas deficiências. Por exemplo, ao programar uma palestra, focalizava somente os educadores que possuíam crianças ‘especiais’ e não toda a escola, ou toda a rede. Bastava que apenas o professor desses alunos obtivesse o conhecimento sobre elas. O professor que possuía somente alunos ‘normais’ não adquiria o conhecimento e perpetuava a sua desmotivação e sua desvalorização acerca do alunado da educação especial."
(http://www.psicopedagogia.com.br/artigos/artigo.asp?entrID=369).

A formação de educadores deve firmar-se numa transformação: a passagem de uma atenção centrada na criança considerada como tendo dificuldades de aprendizagem para uma atenção que engloba todas as crianças, de acordo com o desejo de Mantoan. Os educadores devem concentrar seus esforços na melhoria da forma como enfrentam a diversidade, cuja educação deve visar a ajuda de todas as crianças para terem sucesso na escola (na sociedade), principalmente as que têm de ultrapassar deficiências ou dificuldades específicas.
As relações escola-família-psicopedagogia devem, resumir-se em respeito mútuo, para que pais garantam as possibilidades de exporem suas opiniões, ouvirem os professores, psicopedagogo sem o receio de serem avaliados, criticados. A intervenção Psicopedagógica deve ser no sentido de considerar a necessidade da família vivenciar reflexões e análises que lhes possibilitem sua reconstrução e a revisão de seus paradigmas.
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